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Hanseníase – mitos e verdades

A hanseníase é uma infecção crônica causada pelo bacilo M.leprae que envolve os nervos superficiais periféricos e pele.  O Brasil registra hoje 10% dos novos casos no mundo. A doença é muito antiga e sempre foi acompanhada por muito preconceito agravado, muitas vezes, pela falta de informação. Para desmistificar mitos que envolvem a hanseníase, ouvimos a doutora em Imunologia Léa Casterlluci que é a pesquisadora da Universidade Federal da Bahia e Coordenadora de uma pesquisa sobre o tema, promovida pela Fundação Maria Emília.

1. É fácil diagnosticar a hanseníase.

Verdade. Mas isso é condicionado a um bom exame clínico e confirmação laboratorial. Por essa razão, tão importante quanto o paciente procurar logo um serviço de saúde ao surgimento de sinais e sintomas, há também a necessidade de treinamento constante das equipes de atenção básica em reconhecê-los para um manejo adequado.

2. A hanseníase tem cura.

Verdade. A hanseníase tem tratamento e cura. O tratamento é feito por uma associação de antibióticos e é por isso chamada de poliquimioterapia. Porém, se no momento do diagnóstico o paciente já apresentar alguma deformidade física instalada, esta pode ficar como sequela permanente. Isso reforça a importância do diagnóstico precoce e do início imediato do tratamento adequado, pois essa ação previne o desenvolvimento de incapacidades físicas. Além do tratamento farmacológico, atividades de reabilitação e educação para a saúde, incluindo o autocuidado, devem ser desenvolvidas.

3. Hanseníase e lepra são a mesma coisa.

Verdade. A hanseníase, historicamente conhecida pela designação de lepra é uma das mais antigas doenças de que tem conhecimento. Para se ter uma ideia, há relatos da mesma no Egito 4.300 anos A.C. O termo hanseníase foi adotado em homenagem ao médico norueguês Gerhard Armauer Hansen, que identificou, em 1873, o bacilo causador da lepra. Atualmente usamos o termo hanseníase, pois este é menos carregado do estigma social e psicológico que o termo lepra remete.

4. Quem faz tratamento não transmite a hanseníase.

 Verdade. Logo no início, após a primeira dose da poliquimioterapia, a pessoa já não transmite o bacilo Mycobacterium leprae. A hanseníase é uma doença insidiosa e mesmo em pessoas não tratadas é preciso haver um longo contato para que haja transmissão. Por isso o exame de contatos em pessoas doentes é importante: Ele ajuda a prevenir que pessoas já contaminadas, mas que ainda não manifestaram a doença deem seguimento ao ciclo de transmissão.

5. O Brasil é o segundo país com maior número de casos no mundo.

Verdade. Segundo dados da organização Mundial da Saúde, o Brasil é o segundo no mundo em número de casos, ficando atrás apenas da Índia. É também considerado o país com maior prioridade para o controle da doença na América Latina.

6. Depois de curado nunca mais o paciente sentirá os sintomas da hanseníase.

Mito. Quando o tratamento é feito de forma precoce e a doença se apresenta sem complicações, é possível que a pessoa nunca mais volte a ter sintomas da hanseníase. Porém, podem ocorrer episódios inflamatórios agudos durante ou mesmo após o tratamento. Chamamos a isso de reações hansênicas. As reações são tratáveis, mas, podem se repetir. Em adição, infelizmente as incapacidades físicas causadas pela doença tendem a ser permanentes. Recidivas (adoecer novamente), no entanto, são incomuns.

7. Existe prevenção para a hanseníase.

Verdade. Embora não exista até o momento uma vacina específica para a bactéria que causa a hanseníase, o exame dos contatos de uma pessoa com hanseníase pode detectar a doença antes mesmo do aparecimento de lesões suspeitas. Isso ajuda a quebrar o ciclo de transmissão da doença. A vacinação com BCG também é recomendada nessas pessoas, pois confere uma proteção parcial ao bacilo.

8. O SUS fornece tratamento para pacientes com Hanseníase.

Verdade. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e acompanhamento da doença em unidades básicas de saúde e em centros de referência, realizado com a Poliquimioterapia, de acordo com esquema de doses preconizado pelo Ministério da Saúde.

 

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